Clube do Canário

Entre no Clube.

Seu lugar na nossa torcida.

Primeiro acesso pelo Canário na Copa ↗︎

Meu Clube

Salvar no Meu Clube

Clube do Canário
MuseuTreinadoresFicha
← Técnicos
Retrato de João Saldanha

Técnicos / À frente da Seleção

João Saldanha

João Alves Jobim Saldanha

Nascimento
03/07/1917
Naturalidade
Alegrete (RS)
Estreia como técnico
07/04/1969 ↗︎
Última partida
14/03/1970 ↗︎
Antecedido por
Yustrich ↗︎
Sucedido por
Zagallo ↗︎
11Partidas
10Vitórias
0Empates
1Derrotas
32Gols marcados
9Gols sofridos

RSSSF · Números de todas as passagens. Datas e sucessão seguem a sequência de partidas do acervo, incluindo jogos não oficiais; não representam datas de contratação. Resultados pelo placar, sem desempate por pênaltis. Ver partidas ↓

Créditos da fotografia

Unknown Unknown

Public domain · Fonte da fotografia ↗︎

01 / Wikipédia & Wikidata

Pessoa & carreira.

João Alves Jobim Saldanha (Alegrete, 3 de julho de 1917 — Roma, 12 de julho de 1990) foi um futebolista, militante político, jornalista, escritor e treinador de futebol brasileiro.

Continuar leitura

Atuou profissionalmente por alguns anos no Botafogo, mas abandonou a carreira e se graduou em jornalismo, tendo se tornado um dos mais destacados da crônica esportiva brasileira. Como técnico de futebol, levou o Botafogo ao título carioca de 1957 e a Seleção Brasileira a classificar-se para a Copa do Mundo de 1970. Foi afastado do comando da seleção nacional meses antes do início da competição, em uma história até hoje não esclarecida.

Apelidado por Nelson Rodrigues como João Sem-Medo, militou por toda sua vida adulta no Partido Comunista Brasileiro e chegou à sua cúpula.

Biografia

Saldanha nasceu no Alegrete, no estado do Rio Grande do Sul, no dia 3 de julho de 1917. Sua família envolveu-se na Revolução de 1923 e Saldanha, aos 6 anos, ajudava no contrabando de munição entre Brasil e Uruguai. No mesmo ano, a família refugiou-se em Rivera. Ao fim do conflito, os Saldanha voltaram para o Rio Grande do Sul e, no ano seguinte, foram para o Paraná. Após percorrer várias cidades do interior, decidiram se instalar em Curitiba.

O primeiro grande contato de João com o futebol aconteceu ali, pois a casa comprada por Gaspar Saldanha, seu pai, ficava a dois quarteirões do campo do Atlético Paranaense, onde sempre ia assistir aos treinos das divisões de base, permitindo a proximidade do garoto com o futebol. Além disso, a casa da família em Curitiba permitia uma integração com toda a garotada da vizinhança, que organizava times, campeonatos, jogos, enfim, tudo dentro do estilo de vida da expansão urbana e das novas modas citadinas. Ali, João completaria o primário na mesma escola de um garoto que ainda seria importantíssimo personagem na história nacional como presidente da República: Jânio Quadros. Em 1928, a família voltou para o Rio Grande do Sul, com o pai de Saldanha aliando-se a Getúlio Vargas. Quando este tornou-se presidente do Brasil, a família foi para o Rio de Janeiro, onde Gaspar ganhou um cartório. Filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro com pouco tempo estabilizado no Rio e engajou-se em muitas campanhas do partido. Logo mais, se tornaria um dos mais ferrenhos opositores da ditadura militar brasileira e figura de destaque no "Partidão". Tornou-se secretário-geral da União da Juventude Comunista, chegando a ser mantido preso e fichado no DOPS em 1947.

Jogou futebol profissionalmente por uns poucos anos no clube carioca do Botafogo. Formou-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual UFRJ. Estudou Jornalismo e se tornou um dos mais destacados cronistas esportivos brasileiros, começando a carreira em 1960. Incentivado por amigos e por sua esposa na época, Ruth (irmã do jornalista Rui Viotti), aceitou o convite para fazer um teste para integrar a equipe da Rádio Guanabara (atual Bandeirantes AM), montada por Édson Leite. A partir daí, acumulou passagens marcantes pelas rádios Nacional, Globo, Tupi e Jornal do Brasil, TVs Rio, Manchete e Globo (onde apresentou seus comentários esportivos no programa Dois Minutos com João Saldanha) e assinou colunas nos jornais Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil e revista Placar. Com toda sua experiência vivida no futebol, não media palavras ao criticar jogadores, treinadores e dirigentes, conquistando fãs e desafetos.

Entre 1939 e 1940, Saldanha foi o intérprete no Botafogo do técnico húngaro Dori Kürschner, com quem aprendeu sobre tática no futebol. Foi diretor de futebol do clube a partir de 1944, com um intervalo entre 1949 e 1956, período em que esteve clandestino como dirigente do PCB. Saldanha foi contratado em 1957 como técnico do Botafogo, apesar de sua falta de experiência. O clube conquistou o campeonato estadual daquele ano, em uma final histórica, em que goleou o Fluminense por 6x2, com um time que contava com Garrincha, Didi e Nílton Santos. Em 4 de fevereiro de 1969, ele foi anunciado como novo treinador da seleção nacional. O presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), João Havelange, alegou que o contratou na esperança de que os jornalistas fizessem menos críticas à seleção nacional, tendo um deles como técnico.

Na Copa do Mundo de 1966, uma das principais críticas da imprensa era a falta de um time-base. Saldanha tentou resolver esse problema, convocando um time formado em sua maioria por jogadores do Santos e do Botafogo, os melhores times da época, e os conduziu a 100% de aproveitamento em seis jogos de qualificação (eliminatórias). De uma frase sua, quando teria dito que convocaria somente "feras", surgiu a expressão As feras do Saldanha, para designar aquela seleção. Graças ao seu trabalho, a seleção brasileira reconquistaria a autoestima e a confiança do torcedor, que tinha perdido depois da pífia campanha de 1966.

O time de Saldanha, que se destacou nas eliminatórias, contra Venezuela e Paraguai, com a dupla Tostão e Pelé, estava mesclado com jogadores do Santos, Botafogo e Cruzeiro. Foi uma grande ideia de Saldanha, aproveitando o entrosamento dos jogadores em seus respectivos clubes, e que formavam um 1-4-2-4 bem montado. O time brasileiro de Saldanha era: Felix, Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel e Rildo; Piazza e Gerson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu.

Apesar das vitórias, Saldanha foi publicamente criticado por Dorival Knipel, conhecido como Yustrich, treinador do clube carioca Flamengo. Saldanha respondeu ao confronto brandindo um revólver. Também havia rumores de que não entendia de preparação física, havendo alguns desentendimentos com a comissão técnica sobre a condução dos treinamentos.

Como o próprio Saldanha disse em entrevista a TV Cultura, e sabido conhecimento popular, ele teria sido retirado do comando da seleção por causa da sua negativa em selecionar jogadores que eram indicados pessoalmente pelo presidente Emílio Garrastazu Médici, durante a ditadura militar, em particular o atacante Dario Maravilha. Sua punição, agravada por ser militante do (então clandestino) Partido Comunista Brasileiro, foi a dispensa do comando da seleção meses antes do mundial, o que deixou eternos rumores do medo da ditadura de ver um comunista voltar da copa do México com a Jules Rimet nas mãos.

O último atrito foi quando o auxiliar técnico pediu para sair da seleção, dizendo que era impossível trabalhar com Saldanha. Segundo João Havelange, então presidente da CBD, o esquema adotado por Saldanha de dois pontas abertos (Jair e Edu) e o meio-campo desprotegido do Brasil, que adotava o esquema 1-4-2-4, não iria a lugar nenhum. Daí a demissão de João Saldanha e, depois de uma tentativa de se contratar Dino Sani, ele foi substituído por Mário Zagallo, ex-jogador de futebol e ganhador de duas copas: Copa do Mundo de 1958 e Copa de 1962, com seu tradicional e eficiente (na época) 1-4-3-3, montando a equipe com Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Marco Antônio (depois Everaldo); Clodoaldo, Gérson e Rivelino; Jair, Tostão e Pelé.

Saldanha retornou ao jornalismo depois desse episódio e continuou a criar algumas das mais famosas citações da história do futebol brasileiro, como: " o futebol brasileiro é uma coisa jogada com música ". No final da vida, foi um dos maiores críticos da europeização do futebol brasileiro, com a adoção de esquemas mais defensivos e a perda de algumas de nossas principais características, como o jogo hábil e voltado ao ataque.

Em 1985, foi pela primeira vez candidato nas primeiras eleições diretas para prefeito do Rio de Janeiro, sendo indicado pelo seu Partido, o PCB, como candidato a vice-prefeito, na chapa encabeçada pelo advogado Marcelo Cerqueira, do PSB.

Bastante debilitado devido ao vício tabagista, seu último trabalho jornalístico foi a cobertura da Copa do Mundo de 1990 para a TV Manchete. Saldanha morreu devido a um enfisema pulmonar em Roma, no dia 12 de julho de 1990.

Homenagens

Em sua homenagem, foi criado o Troféu João Saldanha, concedido a cada ano à equipe que termina o segundo turno do Brasileirão em primeiro lugar.

Ler biografia completa

Wikipédia — colaboradores de João Saldanha. CC BY-SA 4.0 · Dados pessoais: Wikidata · CC0

Equipes na trajetória
  • Botafogo de Futebol e Regatas

Vínculos como atleta registrados no Wikidata; não representam necessariamente equipes treinadas. Podem incluir seleção e categorias de base. Período aberto não comprova vínculo atual.

Títulos

Menções extraídas da Wikipédia, em revisão editorial.

Wikipédia e seus colaboradores · CC BY-SA 4.0.

Prêmios individuais

Menções extraídas da Wikipédia, em revisão editorial.

  • Técnico do time dos sonhos do Botafogo (Placar) : 2006

    Fonte ↗︎

Wikipédia e seus colaboradores · CC BY-SA 4.0.

02 / Outros olhares

Últimas notícias.

Nas fontes selecionadas pelo Clube · Mais recentes primeiro

Até cinco notícias automáticas dos últimos 180 dias, além dos links selecionados pela redação · Última consulta em 01/11/2026, 05:21 (Recife).

03 / O nosso olhar

Conteúdo do Canário.

Artigos, crônicas, narrativas visuais, programas e cortes.

    Ainda não há conteúdos vinculados a este técnico.

    O acervo / Jogo a jogo

    Sob o comando de João Saldanha.

    Explorar no Museu ↗︎

    Amistoso

    Vitória · Oficial

    Brasil2Argentina1

    Rio de Janeiro – Brasil

    Amistoso

    Derrota · Oficial

    Brasil0Argentina2

    Porto Alegre – Brasil

    Eliminatórias da Copa do Mundo · 1970

    Vitória · Oficial

    Brasil1Paraguai0

    Rio de Janeiro – Brasil

    Eliminatórias da Copa do Mundo · 1970

    Vitória · Oficial

    Brasil6Venezuela0

    Rio de Janeiro – Brasil

    Eliminatórias da Copa do Mundo · 1970

    Vitória · Oficial

    Brasil6Colômbia2

    Rio de Janeiro – Brasil

    Eliminatórias da Copa do Mundo · 1970

    Vitória · Oficial

    Brasil3Paraguai0

    Asunción – Paraguai

    Eliminatórias da Copa do Mundo · 1970

    Vitória · Oficial

    Brasil5Venezuela0

    Caracas – Venezuela

    Eliminatórias da Copa do Mundo · 1970

    Vitória · Oficial

    Brasil2Colômbia0

    Bogotá – Colômbia

    Amistoso

    Vitória · Oficial

    Brasil2Inglaterra1

    Rio de Janeiro – Brasil

    Amistoso

    Vitória · Oficial

    Brasil3Peru2

    Rio de Janeiro – Brasil

    Amistoso

    Vitória · Oficial

    Brasil2Peru1

    Porto Alegre – Brasil